Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Margarida... (3)

 

Acabou a reunião e todas foram para os seus afazeres, arrumar a casa, fazer comida, lavar roupas...

Margarida continuava meia perdida.

- O que é que eu faço?

- Vai ajudando as outras, não tarda nada habituaste.

A manhã correu normalmente, as raparigas falavam entre si sobre a noite anterior, de como tinha corrido, e das expectativas para a noite seguinte.

Margarida ouvia aquilo tudo meia aturdida.

Chegou a hora do almoço, todos comeram à mesa como uma grande família.

- Meninas, agora, depois do almoço, vocês vão levar a Margarida às compras. Comprem-lhe roupas bonitas e vistosas, tanto para o trabalho como para o dia a dia.

- Mas eu não tenho dinheiro!

- Não te preocupes com isso, aqui é tudo por minha conta.

E assim depois de almoçarem as raparigas sairam todas em direcção ao centro comercial.

Correram as lojas todas, vestiram e despiram várias roupas, o entusiasmo dentro a fora dos vestiários, começou a entusiasmar Margarida.

Quando acabaram as compras, não havia mãos para carregar tantos sacos.

Ao chegarem a casa, Joaquim não estava, e em cima da mesa tinha um bilhete que dizia:

"- Fui tratar de negócios, levem a Margarida ao salão de beleza, quero-a mágnifica."

Margarida não entendia.

- Mágnifica porquê?

- O Joaquim deve ter grandes planos para ti.

Voltaram a sair, carregando consigo Margarida.

Chegaram ao salão, deixaram Margarida sentada numa poltrona na sala de espera, e foram falar com a dona do salão.

- O Joaquim mandou uma nova, é para tratares dela ao rigor.

- Ele diz que a quer mágnifica.

- Quando é que eu não deixei uma de vocês mágnifica?

- Tu és uma fada, tens umas mãos especiais.

- Ela é nova nestas andanças, nunca deve ter feito, nem sequer depilação. Trata-a com cuidado.

- Fiquem descansadas, vou transforma-la numa princesa. Podem voltar daqui a 3 horas.

Sairam do escritório da Manuela, assim se chamava a dona do salão, e foram ter com margarida, que continuava sentada, muito tímida e nervosa.

- Margarida, agora ficas nas mãos da Manuela, é ela que vai tratar de ti, nós voltamos daqui a pouco.

- Vão me deixar aqui sózinha?

- Não tenhas medo, não te vou fazer mal. Vou te transformar numa princesa. Até logo meninas.

E assim, Margarida ficou sozinha no salão com Manuela.

Para acalmar Margarida, Manuela começõu a falar com ela e a fazer-lhe perguntas.

- Diz-me, minha querida, como conheceste o Joaquim?

- Estava na rua sozinha e cheia de frio, e ele deu-me abrigo e comida.

- Já estás com ele há muito tempo?

- Há uma semana. E tu? Como é que conheces o Joaquim e as meninas?

- Eu? Eu já fui uma das meninas do Joaquim, quando tive de deixar de trabalhar, ele montou-me este salão este beleza.

Manuela, era uma mulher bonita, na casa dos 40 /50 anos.

Tinha um porte de senhora, elegante, educada, alegre, simpática... mas havia nela algum mistério.

Margarida simpatizou logo com ela, sentia-se confortável a falar com ela.

- Se precisares de uma amiga com quem desabafar, eu estou sempre aqui.

Manuela, parecia ter lido os pensamentos de Margarida.

- Obrigado, sinto-me tão sozinha, não conheço ainda as raparigas.

- Não te preocupes, vocês vão se transformar em grandes amigas. Mas eu estarei sempre aqui para quando quiseres desabafar.

A tarde foi passando, e a mudança de visual era impressionante.

- Quando chegarem, as raparigas nem te vão reconhecer. Estás pronta.

As raparigas já estavam à espera, quando Margarida saiu do gabinete, as outras ficaram mudas de espanto.

- Margarida! Estás linda!

- Linda não. Mágnifica!

- Quando o Joaquim a vir não a vai reconhecer, de certeza.

 

(continua)

 

 

 

 

Sinto-me: Literária
Música: Miss solidão - Santos e Pecadores
Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Margarida...

 

 

Margarida era mulher de rua.

Tinha sido abusada por um tio quando era miúda, e perdera-se na vida.

A mãe, mulher sofrida e sem coração, tinha-a posto na rua aos 15 anos.

Abandonada, sem dinheiro, Margarida conheceu Joaquim numa noite de muito frio, num Inverno já longinquo.

- Tens fome? Queres ajuda?

Margarida a medo disse que sim. Não tinha para onde ir, nem o que comer.

Joaquim, com o seu ar bondoso, não passava de um predador. Recolhia raparigas pelas ruas na mesma situação de Margarida, dava-lhes guarida, comida e protecção, mas em pagamento, obrigava-as a prostituirem-se.

Margarida sabia o risco que corria, mas não podia ficar mais uma noite na rua, era demasiado perigoso.

A caminho da casa de Joaquim, ele parou num mercado e comprou comida, fruta, leite, pão. Tudo o que ela quis.

Foram para casa dele. Ao chegarem Joaquim disse-lhe que ela fosse tomar banho enquanto ele fazia alguma coisa para ela comer.

- Vai tomar um banho, estás com cara de quem está a precisar.

Margarida, meio a medo, não ousou recusar.

Foi até a casa de banho, fechou a porta...

- Deixa a porta aberta, podes precisar de alguma coisa. Tens toalhas e sabonete aí em cima.

Margarida tremia, tinha frio, mas o que a fazia tremer mais, era o medo. Lá no fundo sabia o que lhe ia acontecer.

Sabia de amigas a quem tinha acontecido o mesmo.

Margarida tomou banho a medo, sempre a olhar para a porta, na ância de ver entrar Joaquim, mas para sua surpresa, Joaquim não entrou.

Margarida acabou o banho, vestiu uma camisola e umas calças que Joaquim lhe tinha arranjado e saiu.

- Sentes-te melhor?

Margarida abanou que sim com a cabeça.

- Anda, vem comer, senta-te aqui, deves estar com fome.

Margarida nem pestanejou, a fome devorava-lhe as entranhas e a comida cheirava tão bem...

Margarida comia sem olhar para mais nada a não ser o prato, a comida desaparecia rápidamente.

- Estavas mesmo com fome.

Margarida voltou a acentir que sim com a cabeça.

- Podes falar comigo. O gato comeu-te a lingua?

Margarida sorriu tímidamente.

- Se quiseres, podes te ir deitar, deves estar cansada. Amanhã falamos melhor.

Margarida levantou-se e dirigiu-se ao quarto que Joaquim lhe indicara.

Havia lá 4 camas, a dela e mais 3. Mas não estava lá ninguém.

- Joaquim. Mora aqui mais alguém?

- Mora, mas amanhã já as vais conhecer, agora elas estão a trabalhar.

E assim, agarrada aos lençois, Margarida passou a sua primeira noite à guarda de Joaquim...

(continua)

Sinto-me: Criativa
Música: Miss Solidão - santos e Pecadores

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